Youssef, o Champô, entrou em Portugal pela porta grande, tendo sido a atracção principal de mais um triunfal arranque de temporada no covil do Dragão.
Corria o ano de 1996, e o Bi-Campeão F.C. Porto tinha por missão vencer o primeiro Tri-Campeonato da sua História. Para tal, reforçou-se com o que de melhor havia na equipa da rua do café do Sr. Veloso, imigrante português na Suazilândia: Chegaram Andrzej "o Popeye Polaco" Wozniak, o indomável Lula, Alejandro "O Homem Invisível" Díaz, Darko "Rico Suave" Buturovic, Arnold "eu marquei nos 5-0 da Luz" Wetl, António "Richard Gere da VCI" Folha, e o mortífero Romeu, ex-vedeta do Infesta.
Porém, apesar desta chuva de estrelas no palco das Antas, os indefectíveis Portistas sentiam-se inseguros. Algo faltava para atacar o Tri com a inegável certeza que só os campeões possuem. "Jardel e Quinzinho não chegam, cara****", gritavam as sempre impacientes bancadas azuis. Fumavam-se maços de SG Ventil e Português Suave. O chão cinzento cobria-se de unhas roídas e furiosamente cuspidas, qual remate traiçoeiro de Barroso. Quando, num súbito momento mágico, o túnel de acesso das Antas (órfão de George "Fair-Play" Weah e Jorge "Bicho" Costa) deixa-se envolver numa neblina misteriosa de esperança e novidade. O público exulta, as bancadas erguem-se. As crianças levantam-se e dão a mão aos adultos. Os idosos afagam o pacemaker - "Tu consegues. Só mais esta, ca****!", dizem eles.Eis que irropem dois morenos vultos de camisola azul e branca do afamado túnel. "Mas que raio?..." é a expressão mais escutada do momento. O speaker, sempre solícito, ajuda o desamparado povo - logo a seguir a mais um anúncio ao concessionário da Volkswagen nas Antas - com o desvendar da identidade das novas vedetas do Bi-Campeão: "Kenedy e Chippooooooo!!!".
O silêncio mistura-se com dois ou três impropérios, alguns assobios, um arroto, a corneta do Sr.Azevedo e os tímidos aplausos daqueles que já tinham lido o jornal "O Jogo" dessa manhã. Era a triunfal chegada de dois futebolistas que iriam fazer História na Invicta (como ainda não tinham acabado o secundário, fizeram a cadeira de História - 12º ano - na Escola Secundária Clara de Resende, ironicamente em frente ao Bessa).
Youssef, o Champô, esforçou-se para corresponder à aura de salvador. Quer dizer, por acaso não se esforçou por aí além. Era um jogador rápido, se cometermos a imprudência de ver o conceito de velocidade à luz do relativismo. Com a bola no pé, fazia lembrar Siza Vieira, tal a exactidão colocada no traço do seu passe longo. Sempre (in) activo, mestre da basculação tecnocrata dominante no prisma táctico do futebol feito arte, Youssef Chippo foi o precursor do moderno box-to-box, com a sua impressionante interpretação do futebolista not-box-to-not-box. É verdade que defender não era o seu ponto forte - coisa pouca, quando falamos de um trinco - mas o seu poderio ofensivo compensava esta falta de capacidade enquanto stopper centro campista. Ah, esperem...não compensava, não.
Bem, paciência. Sai um Doriva prá mesa 1.

































